Boletim Informativo - Data 18/09/2009
Reunidos na terça-feira, 13/10, para discutir a agenda de votação da Câmara até o
final do ano, os líderes partidários descartaram a votação da PEC (Projeto de Emenda
à Constituição) que efetiva titulares de cartórios não concursados em todo o país.
Segundo o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), a proposta possui
entraves jurídicos que podem forçar a derrubada do texto pelo STF (Supremo Tribunal
Federal) depois de aprovada pelo Congresso.
"Do jeito que está, ela não será votada. Só se houver critério que aponte pela sua
juridicidade é que nós colocaremos em votação. Porque há problemas de
constitucionalidade de juridicidade. Não acho útil a Câmara votar uma matéria que
depois venha a ser não só questionada, mas eventualmente derrubada pelo STF.
É por isso que precisamos ter muita cautela nessa matéria", afirmou Temer.
Nos bastidores, o presidente reconhece que a aprovação do texto pode trazer
desgaste porque a emenda poderá levar a Casa a ser acusada de proteger mais
um "trem da alegria" no país - a estimativa do CNJ (Conselho Nacional de Justiça)
é de que cerca de 5.000 não concursados estejam à frente de cartórios.
Reportagem da Folha afirma que a atividade cartorária é delegada pelo poder
público a particulares e há casos de titulares que arrecadam mais de R$ 1 milhão
por mês. A administração das vagas e a fiscalização dos cartórios é feita pelos
Tribunais de Justiça Estaduais.
Em junho passado, o CNJ emitiu uma resolução que declarou como vagos todos os
cargos assumidos pelos não concursados e determinou que os Tribunais de Justiça
realizassem um levantamento para apuração do número exato de titulares "biônicos".
A meta do CNJ é a de que após essa fase sejam realizados os primeiros concursos
para preenchimento dessas vagas. Mas todo esse trabalho pode ser afetado caso
a PEC seja aprovada.
Fonte: Assessoria de Imprensa ARPEN-SP
Data Publicação: 14/10/2009